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Chegou a hora de trocar o aluguel pela casa própria?

Foto: CRECI-RJ

Foto: CRECI-RJ

Os preços dos imóveis estão em queda desde o início do ano. Se for considerado o efeito da inflação, essa desvalorização vem ocorrendo há cerca de dois anos. Ao começarem a surgir sinais de retomada da economia, no entanto, esse quadro pode mudar. É neste momento que o consumidor precisa avaliar se é hora de sair do aluguel e comprar a casa própria, ou se compensa esperar mais um pouco. Na avaliação de analistas, à medida que melhoram as projeções para o crescimento da atividade econômica e a confiança aumenta, menor é o poder de barganha na hora de negociar a compra do imóvel.

— Vemos chance de recuperação dos preços em 2017, com um cenário econômico melhor e os bancos voltando a liberar mais crédito. E se o mercado inteiro começa a acreditar nessa recuperação, as condições de desconto ao consumidor começam a ficar mais restritas — explica Eduardo Schaeffer, presidente da Zap Imóveis.

No acumulado de 12 meses até julho, o preço dos imóveis caiu 0,75%, com o valor médio do metro quadrado na país em R$ 7.637, segundo o índice FipeZap — sendo que Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília registram valores médios superiores. Recuo, mas em intensidade maior, também é visto na locação, em que a desvalorização no período chega a 5,23%.

Schaeffer lembra que as incorporadoras já voltaram a falar em lançamentos e que isso só ocorre quando é maior a probabilidade de oferecer novas unidades a preços mais elevados, uma vez que há demanda por parte dos consumidores e os estoques começam a cair. E quando sobe o preço das unidades novas, os imóveis usados também tendem a ficar mais caro.

— Como há pouco comprador, os descontos estão elevados. Então, para quem tem dinheiro, é um bom momento de procurar o imóvel ideal e fazer um grande negócio — afirma Schaeffer, lembrando que a sugestão também vale para quem vai financiar, mas vai dar uma entrada elevada, de mais de 50% do valor do imóvel.

PLANO DE LONGO PRAZO

Para quem quer comprar, é importante também ficar de olho no mercado de aluguel, até para comparar o que está pagando e o valor de um imóvel similar (no mesmo bairro, do mesmo tamanho) caso decida pela aquisição. O recuo no valor mensal da locação é maior porque, com poucos compradores, o proprietário que não tem a necessidade de se desfazer do imóvel prefere colocá-lo para alugar a reduzir o preço de venda.

Esse aumento de imóveis para locação teve início no ano passado, em maio, quando a Caixa alterou as regras de financiamento imobiliário, o que retraiu principalmente o mercado secundário (imóveis usados). A saída para muitos proprietários foi colocar o imóvel para alugar, para ao menos se livrar dos custos de condomínio e impostos e garantir alguma renda.

Na avaliação de Lucas Vargas, presidente do portal imobiliário VivaReal, além de fazer a comparação entre o valor do aluguel e o de compra, o consumidor também precisa levar em conta quanto tempo imagina que irá morar naquele lugar. Segundo ele, não é aconselhável adquirir um bem caso a ideia seja buscar um outro imóvel dentro de cinco anos.

— Se a pessoa vai ficar pouco tempo, porque pretende ter filhos e vai precisar de um imóvel maior, então o melhor é esperar: não comprar agora e continuar no aluguel. Há um custo na compra sucessiva de apartamentos ou casas, com impostos e gastos com a mudança — diz Vargas.

Para quem pretende comprar e não se mudar tão cedo, o executivo afirma que, nesse caso, pode ser a hora de começar a se planejar, fazendo pesquisas e analisando as condições de preço e pagamento.

— Se você vai mudar e pretende ficar nesse imóvel por um período longo, uns dez anos, por exemplo, não vai fazer diferença uma pequena desvalorização que possa ocorrer em seis meses. E ainda pode haver uma flutuação para cima, caso o mercado se recupere mais rapidamente — explica Vargas.

Com base em pesquisa feita com seus clientes, o VivaReal levantou que a maior parte das pessoas consultadas, 56%, acredita que o preço dos imóveis ainda vai cair, enquanto 31% esperam estabilidade. Vargas, no entanto, lembra que essa expectativa pode não se confirmar, como já aconteceu em 2014. Na época, muitos potenciais compradores acreditavam em um estouro da bolha, ou seja, uma queda acentuada nos valores. Isso não aconteceu e, ao mesmo tempo, o crédito secou, dificultando a vida de quem precisava de financiamento.

PECHINCHAS EM USADOS

Mauro Calil, especialista em investimentos do Ourinvest, acredita que, do ponto de vista financeiro, a compra tem sempre desvantagens em relação ao aluguel, tendo em vista que uma aplicação pode, com segurança, render 1% ao mês, enquanto a locação gira em torno de 0,5% do valor do imóvel.

— Essa é uma justificativa financeira, mas a vida das pessoas não é uma planilha. Então, para uma pessoa que tem família, um imóvel dá maior tranquilidade e é possível planejar a vida de uma forma mais fácil — avalia.

Para quem vai comprar, Calil recomenda uma entrada de ao menos 40%, para reduzir o impacto dos juros do financiamento. E, enquanto o mercado ainda está favorável ao comprador, ele sugere que o consumidor seja ousado na contraproposta, oferecendo valores com descontos acima de 30%.

— As pechinchas maiores estão na compra de usados. Isso porque é possível encontrar um vendedor que tenha necessidade de se desfazer do bem, como um casal em separação. Já para imóveis na planta, as incorporadoras costumam ter fôlego maior — ressalta Calil.

O educador financeiro Reinaldo Domingos lembra que, antes de tomar a decisão de comprar o imóvel, é preciso também ver o preço do custo de vida na região em que se pretende morar, para saber se será possível arcar com a mudança de endereço. Se a decisão for comprar, aconselha não usar todas as economias com o imóvel:

— É importante não consumir toda a reserva. Hoje, quem tem liquidez tem mais força. Do que adianta ter um imóvel e não ter dinheiro para pagar as contas? Nessa hora, o que vale é a tranquilidade financeira.

Fonte: Jornal O Globo – 29/08/2016